Relato da Aula 1 – Reconhecendo nossas histórias
Etapa 1 – Reconhecendo nossas histórias
Hoje aconteceu minha primeira aula no sistema prisional. Mais do que o início de uma sequência de atividades, este primeiro encontro representou também o início de uma experiência pedagógica diferente de tudo aquilo que eu já havia vivenciado em sala de aula.
Chegar a um espaço como o presídio traz consigo muitas expectativas, questionamentos e até certa apreensão. Antes da aula, havia a curiosidade sobre como seria a recepção dos estudantes, como aconteceria a dinâmica das atividades e, principalmente, como estabelecer uma relação de confiança e respeito naquele ambiente. Ao mesmo tempo, havia a certeza de que, por trás dos muros e das histórias de cada estudante, existiam pessoas com experiências, sentimentos, sonhos e possibilidades de aprendizagem.
Para esse primeiro encontro, a proposta foi iniciar o projeto “Histórias que Ganham Vida” a partir das próprias histórias, ideias e imaginação dos estudantes. A atividade recebeu o título “Reconhecendo nossas histórias” e buscou provocar uma reflexão inicial sobre a criação de histórias infantis.
Os estudantes foram convidados a imaginar que poderiam desenvolver uma história para crianças e responder a cinco questões:
- Se fosse para desenvolver uma história infantil, qual seria o tema?
- Quais seriam os personagens?
- Qual seria o cenário ideal?
- Quais brinquedos poderiam aparecer na história?
- O que essa história teria para ensinar para um mundo melhor?
A escolha dessas perguntas teve um propósito importante: começar o projeto não pela técnica de escrever uma história, mas pela imaginação. Antes de construir personagens, cenários e narrativas, era necessário abrir espaço para que cada estudante pensasse sobre aquilo que gostaria de contar.
A atividade também permitiu perceber que uma história infantil pode ser muito mais do que entretenimento. Ela pode carregar valores, sentimentos, experiências e mensagens. Ao perguntar o que uma história poderia ensinar para um mundo melhor, a proposta levou os estudantes a pensar sobre valores que gostariam de transmitir às crianças e sobre a sociedade que desejam imaginar.
O primeiro encontro, portanto, foi uma oportunidade para iniciar a construção de um espaço de escuta, criação e participação. Em um ambiente frequentemente associado a limites e restrições, trabalhar com literatura, imaginação e criação significa também abrir uma pequena janela para possibilidades.
Saio dessa primeira aula com a sensação de que o projeto começou exatamente onde deveria começar: nas histórias que cada pessoa carrega dentro de si.
Ainda teremos muitas etapas pela frente. Personagens serão criados, histórias serão construídas, revisadas e ilustradas. Mas, antes de tudo isso, existe uma etapa fundamental: permitir que cada estudante perceba que também pode ser autor, criador e contador de histórias.
A primeira aula terminou, mas as histórias apenas começaram.
Insumos produzidos durante a primeira aula: